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Venho contar-te hoje uma situação mais recente que tive com a depressão, ansiedade e burnout. Na semana passada contei-te um dos episódios mais graves que tive há 4 anos atrás. Podes ver aqui essa história. 

Depois dessa altura, voltei a trabalhar no mesmo emprego que tinha, mas a part-time. Comecei a tirar o mestrado em Gestão Empresarial e fiz mudanças radicais ao meu estilo de vida. A minha saúde passou a estar no meu foco, terminei uma relação que não me servia, comecei a alimentar-me de forma consciente e a fazer exercício físico com regularidade. Sentia-me muito bem! Libertei o meu peso emocional e fui libertando o meu peso físico. 

Achava que estava curada. Achava que o que tinha passado tinha sido um episódio que nunca mais se iria voltar a repetir e que desta vez tinha as  respostas todas à minha frente. Mas mal sabia que estava tão errada! Comecei a descuidar-me e a deixar de ter o foco em mim para voltar a ter o foco no que estava fora de mim.

No final de 2017 mudei de emprego. Passei de trabalhar na empresa que fundei (que tanto gostava! Sou super prática e trabalhar numa empresa que me desafie é uma força motora para mim) para voltar a trabalhar no que fazia antes do meu primeiro episódio de depressão, ansiedade e burnout. Mas, desta vez, achava que ia com um mindset diferente – e fui! 

Foi uma mudança que trouxe muitas memórias ao de cima. Estive nesse emprego durante 1 ano, na área da investigação. Ao mesmo tempo que mudei de emprego, comecei a tirar o curso de Health Coaching, em Setembro de 2017. E posso dizer que foi o meu motor para continuar a trabalhar numa área que não me estava a preencher. A minha ideia era continuar a trabalha na área da investigação, enquanto estudava e começava o meu negócio. 

Nos primeiros meses, de Setembro 2017 a Fevereiro de 2018, correu tudo bem. Ia trabalhar às 6 da manhã, tinha de fazer uma hora de viagem até ao meu emprego, saia por volta das 17h, chegava a casa à 18h e ainda tinha tempo à noite e aos fins de semana para estudar. Em Fevereiro comecei a dar sessões, a pedido das minhas primeiras clientes. Continuei a ter a minha mãe para cuidar e o meu emprego era super exigente. 

Perante todos estes desafios (estudar, trabalhar, desenvolver o meu negócio, dar sessões, cuidar da minha mãe e ainda tentar encaixar alguma vida social), decidi começar a ficar em casa uma vez por semana. Continuei nesta rotina durante 5 meses.

Apesar de sentir que precisava de me libertar do meu emprego, tinha bastantes dificuldades em fazê-lo. Não só por mim – mas pelos outros. A equipa cresceu no meu trabalho, eu era responsável por vários trabalhos e tinha a sensação que era uma peça fundamental na equipa e que se deixasse de ir trabalhar, os outros iriam sofrer. A juntar a isso, o medo de o negócio não funcionar e perder a minha segurança financeira ajudaram a que continuasse com a mesma rotina – que foi uma escolha minha e só minha!

Entre todas estas tarefas, algumas coisas foram ficando para trás (e a esta altura já deves ter adivinhado o que foi) – a minha autoestima, o meu amor próprio e o tempo que tinha para mim. Deixei de treinar e a minha alimentação não era suficiente para o nível de exigência que estava a pôr em cima de mim.

Com o aumento da exigência do trabalho no meu emprego saia bem mais tarde e chegava a casa bem mais tarde também. Por vezes, ainda trabalhava quando chegava a casa. Como estava comprometidissima com o meu negócio, era algo que eu queria fazer sempre todos os dias. Estava completamente dividida e sem tempo sequer para respirar.

As pessoas à minha volta sabiam há alguns meses que algo não andava bem: irritava-me com tudo, qualquer pergunta que me faziam eu ficava agressiva e não conseguia controlar.

Até ao dia 1 de outubro de 2018. Lembro-me deste dia como se fosse hoje. Sentia-me cansada, mais do que o normal. Sentia um nó no estômago que se prolongava há algumas semanas. Sentia um pânico generalizado no meu corpo. Sai de casa para o trabalho e quando cheguei, respirei fundo várias vezes antes de entrar no edifício. Sabia que não estava bem, mas naquele dia algo tinha ficado ainda pior. 

O meu dia começou e a cada pergunta que me faziam, parecia que o meu cérebro não respondia. Até ao momento em que, a meio da manhã, me fizeram outra pergunta e o meu cérebro gelou. Não me respondeu. Não consegui responder. Sentei-me e pedi que me distraissem com outros temas. Não ajudou. Lembro-me de ir à casa de banho e estava completamente branca, não conseguia sequer comer. Passei o dia com um sorriso na cara porque não queria dar a “parte fraca” e admitir que tinha chegado novamente ao um limite. 

Falei com o meu namorado e com o grupo de coaching de negócios sobre estes sintomas. O meu cérebro passou de fazer 1001 coisas por dia para fazer zero. Entrei em pânico! No grupo de coaching de negócios, uma das super deusas alertou-me para o facto de isto serem sintomas de depressão e burnout.

Aconselhou-me a ir ao médico de família e perante a impossibilidade de conseguir disfarçar mais e sem conseguir decidir ou saber o que fazer, assim o fiz.

No dia seguinte fui ao médico. Enquanto esperava, conversava com o meu namorado a explicar o quanto desejava não estar ali. Sabia que tinha sido eu a pôr-me naquela situação e o pior é que eu queria continuar – porque tinha medo! Fiquei porque comecei a pensar que o médico me ia dar umas vitaminas para melhorar e tudo voltaria ao normal. 

Entrei na porta do médico e nem uma palavra disse. Comecei a chorar compulsivamente. Até áquele momento, não tinha chorado uma única vez. Mas a minha dor era tanta por ter ido procurar ajuda quando pensava que tinha tudo controlado… Chorei durante muito tempo depois disso, como se estivesse a chorar por todos os meses em que não chorei.

Fiquei de baixa durante 4 meses e meio com anti depressivos e comprimidos para dormir e descansar. Mas, mais importante, com ordens expressas para não pensar mais sobre trabalho e focar-me naquilo que me dava prazer: em mim, no meu projeto e o meu negócio de Health Coaching.

Tinha chegado ao ponto de ter de fazer uma escolha simples como o que comer para o jantar e começar a chorar porque o meu cérebro não me respondia. E assim foi durante semanas. Durante a primeira semana semana de baixa não tomei banho e lavei uma vez os dentes. 

Foram 4 meses e meio de muitas descobertas e auto conhecimento.

Brevemente partilharei com vocês os pormenores desta altura e como consegui ultrapassar estas dificuldades. Para já, apenas quero deixar a seguinte mensagem: se achas que estás a passar por algo parecido – procura ajuda! Foca-te em melhorares o teu EU, procura algo que realmente gostas de fazer e foca-te nisso. O medo é muito e vai sempre ser. Mas quanto vale a tua saúde?

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