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(Antes de começar queria partilhar contigo que este é, talvez, dos posts de blog mais desafiante de escrever para mim. São assuntos ainda em resolução e penso que estarão sempre presentes. Aqui não vais encontrar uma cura – vais encontrar sim a minha história até agora a viver com ansiedade, depressão e burnout. Dito isto, bora lá!)

Hoje venho-te falar sobre algo que afeta muitas super mulheres como nós, mas que parece ainda ser um assunto tabu e difícil de falar. Venho aqui partilhar contigo a minha história com ansiedade, depressão e burnout na esperança que te ajude e que te seja útil.

É uma assunto sobre o qual eu evito falar, admito. Este texto está na minha cabeça há bastantes meses mas sempre que me sento para escrever algo o meu cérebro gela. Quase como se estivesse a evitar que eu voltasse às alturas em que mais sofri com estas doenças.

Sempre fui uma pessoa calma, sorridente e bem disposta e que era um verdadeiro desafio tirarem-me do sério. Sempre vivi uma vida descontraída desde a infância à adolescência.

Quando saí da universidade, a minha mãe ficou seriamente doente. Com a doença da minha mãe, veio um grande abalo para toda a família. A minha mãe era a pedra angular que nos segurava a todos.

Durante 2 anos (mais coisa menos coisa), a minha vida era uma confusão imensa – entre hospitais, unidades de cuidados, um negócio para gerir com horas de trabalho infindáveis e muito pouco tempo para me cuidar – o que resultou num aumento de peso exponencial (creio que até aos 90 – 93 kg), alimentação péssima, baixa autoestima, baixa autoconfiança… Nessa altura, o meu estilo de vida era tudo menos saudável e equilibrado. 

 

O meu corpo começou a dar sinais de que queria parar: comecei a sofrer de enxaquecas com aura em que deixava de conseguir ver durante alguns minutos, sentia formigueiro e percorrer todo o corpo e, por vezes, deixava de conseguir falar e perceber o que me estavam a dizer, tinha ataques de pânico constantemente, chorava muito à noite sozinha no quarto e tinha pensamentos muito negativos – ao ponto de pensar que não valia a pena estar neste mundo. 

O meu “clique” deu-se no dia em que me apercebi de que estava uma pessoa completamente diferente.

Olhando para trás, sei agora que foi uma mistura de factores que me levaram a mudar de estilo de vida. Desde ver a minha mãe a adoecer cada vez mais e pensar “e se eu também ficar assim?”, saber que tinha um negócio em mãos que não estava a conseguir corresponder e olhar para mim e perceber que eu não era a mesma – e neste ponto, foram os meus amigos que me chamaram a atenção para o facto de simplesmente “eu não sorrir”. Nesta altura estava a ser medicada para as enxaquecas e a medicação dava-me imenso sono e tornava-me num autentico zombie!

Comecei a fazer dieta na tentativa de mudar o meu estilo de vida (que correu pessimamente mal, podes ver aqui a minha história sobre como perdi 20kg) Eu pensava que ser magra ia resolver todos os meus problemas.

Após 1 mês e meio a fazer uma dieta altamente restritiva, comecei a sentir-me muito triste e sem energia. Comecei a pensar insessantemente em fugir de tudo. E foi o que fiz – deixei a empresa que fundei, voltei para casa dos meus pais, voltei a alimentar-me com a comida da minha avó e fiquei 1 mês sem fazer absolutamente nada. Quando o fiz, não me apercebi do meu estado de depressão, ansiedade e burnout em que estava. Mas internamente sabia que tinha de o fazer.

Precisava de um reset e esse reset não passava por fazer dieta e tomar comprimidos para esconder as mensagens do meu corpo – passava sim por mudar o meu mindset, aumentar a minha autoestima e o foco em mim!  

Sou muito grata por ter tido a oportunidade de o fazer, mesmo que de forma “inconsciente”. Permitiu-me colocar tudo em perspectiva e fazer algo que não fazia há muito tempo: voltar a sorrir! 

Gostava de vos dizer que fiquei curada para sempre e que nunca mais voltei a passar por tal situação! Mas esta minha história com a ansiedade, depressão e burnout não fica por aqui…  Recentemente voltei a passar por algo parecido mas em moldes diferentes – o que me despertou para algo muito importante! 

No próximo post, venho partilhar contigo o desafio que a vida me colocou à frente em Outubro de 2018. 

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